sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Cuspindo pra cima

As paredes tem ouvidos mas se limitam a escutar pois nunca falaram comigo. Seria perca de tempo pois certamente eu não as escutaria simplesmente porque cansei de escutar coisa bastante normal quando se atinge certa idade. Eu vejo pássaros numa praça comendo migalhas como você um dia fez pelo amor de alguém, mendigou com a mais implacável das fomes um sentimento que nem ao menos sabe da sua existência. Palavras duras? cruéis? assim espero que sejam pois só assim poderiam se fazer ouvidas quando estamos cercados por muros onde a sutileza das coisas não pode ser ouvida. O mundo gira rápido e certamente não gira pra você e aquela bela garota amargamente doce como as melhores canções folk não vai te dar atenção mas quem sabe um dia você tenha grana pra pagar muitas garotas como ela porém mais amargas por terem que cobrar algo que normalmente ela faria de graça. Tudo isso é cômico e remete aos tempos que no colégio você chegava arrastando seu corpo com tamanho receio como se tivesse cometendo um crime por existir no mesmo ambiente que seus colegas sempre sociaveis e dispostos a compartilhar contigo aquele humor sacana que geralmente te escolhia como alvo principal. Hoje chama isso de bullying ou coisa do tipo mas eu sempre achei que era a velha sobrevivência se fazendo presente e assim nascem e crescem explorados e exploradores em salas de aula transformadas em ringues ou diria até que seriam arenas pra dar aquele clima romano como referencia que os metidos a poetas adoram ler e logo depois podia meter no texto como um porco velho mete numa puta alguma citação a baco e ao vinho, a bacanais homéricos mas tudo isso é balela. Meus parabéns se você respira poesia, se você tem a arte nos poros e atua na contramão destilando sua cultura cheia de subversões e outros artificios bonitinhos que você leu em algum livro e decorou pra assustar papai e mamãe e fazer pose bacana pros amigos mas isso não vai colar com todo mundo, sinto muito. Eu sei que tenho respirado muita fumaça e meus poros eliminam álcool e nicotina com uma frequência digna de merecer o titulo de religiosa, daquelas que você usaria pra fazer algum poema chato e recitar em algum sarau sem graça. Um dia olhei pro céu e tava no quintal com meu cachorro pensando em como seria legal voar pra longe da minha casa e coisas do tipo que quando se é moleque você acredita cegamente até o dia que alguém vai e pisa nisso e você ganha mais uma coisa pra se duvidar. O céu era tão azul que chegava a ser irritantemente belo naquela tarde de quarta e fiquei muito tempo olhando pra cima sem pensar em nada além do azul. Hoje eu sei que tem gente que queria estar vendo a porra do céu também mas não esta viva pra isso, na verdade não esta viva nem pra querer isso e essa coisa toda me faz rir da tal criação e a força maior por trás dela simplesmente porque eu tenho o azul pra acreditar e muitos morreram e não podem compartilhar disso comigo portanto isso me faz um cara de sorte e me faz cogitar a possibilidade de comprar uma arma assim o azul fica so pra mim. Alguns anos se foram depois daquele dia em que descarreguei a arma nos seus sonhos e desde então os dias são vermelhos e vejo o céu apenas na hora do banho de sol. Agora eu tenho um rastro vermelho pra mim, o meu tapete vermelho me conduzindo a um infinito de possibilidades. O amor eu joguei na privada e dei a descarga porque aqui ele nunca teve serventia nenhuma.   

4 comentários:

amanda disse...

eu só vim descobrir que sofri bulying agora, na escola sempre tem os excluidos, é uma merda. Mas quanto a você estar frustrado no amor.. é mais ou menos isso: http://www.viage.blogger.com.br/2005_03_01_archive.html

Clarissa Marinho disse...

"o meu tapete vermelho me conduzindo a um infinito de possibilidades"
muito bom!

Géssica Medeiros disse...

=O

Notleh disse...

o meu verdadeiro céu se vê de cabeça para baixo... é tão dificil para mim cuspir para cima em meu céu...

to te adicionando Igor!! :D