segunda-feira, 1 de março de 2010

Tão tolo quanto nenhum sábio jamais seria capaz de ser

O silêncio me responde
Hesitando dizer que se passa
Sinto o funeral em frente a parada de ônibus
formigando em meu peito
subindo até a garganta e fazendo um nó
que me sufoca numa forca conhecida como solidão
que as vezes pode ser paz
em outras, como hoje
é inferno na pele
deixando pra tras o cheiro
e as lembranças de um outro sorriso
que não era meu mas por não ser
parecia mesmo assim vir de mim
os dias de ressaca estão por vir
a cama de solteiro mais espaçosa que o de costume
revela um vazio além do peito
onde as noites quentes e frias
serão mais sentidas
pela ausência
e a vontade de gritar se faz presente
mas ninguém escuta nenhum anseio
os braços que ja foram abrigo
agora caminham longe e me pergunto
quando vou sentir de novo
quando vai voltar o que me importa?
o nada pode ter mais respostas que as minhas perguntas
e o tempo mais uma vez me rouba tudo
e me pergunto quando ele ira levar minhas ruinas também
catando cada caco
pedacinho por pedacinho
e vai me restar o que?
amor vivo
correspondido ou não
a negação do que vivo
seria a negação de quem sou
e sou erroneamente passional
pois acertadamente me deixo envolver
pela sensação
ainda inquieta dentro de mim
me resta abraçar a solidão do quarto
e ouvir meus lamentos
pois ninguém realmente escuta
quando a indiferença se impõe
num mundo onde é crime sentir
e condena todos que ousam
a serem conhecidos como os tolos
que nada alcançam

2 comentários:

Eiji Kumamoto disse...

cara... vc conseguiu passar muitas das coisas que eu gostaria de colocar no papel...

Eveline disse...

É verdade que o tempo rouba tudo. O tempo é ladrão de sonhos e de palavras não escritas. O ( não ) tempo é responsável pelas mortes internas e pelo que passa e ignorantemente não percebemos. O silênco é perigoso porque é revelador e anuncia perturbação, calma ou/e solidão.
Adorei as tuas palavras saídas das tímidas entranhas.