sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Assumindo a culpa de ter culpa

"Quanto mais o tempo voa, mais a tua culpa cresce" (Noel Rosa)



Nossa culpa é uma cova aberta sempre a espera de alguém que mergulhe nela e espere ser enterrado por toda a terra que ela pode gerar. O menu de condenações é variado e se adequa ao réu e ainda temos a escolha de assumir consequências por atos que não cometemos. A roleta russa de possibilidades nunca para de girar mas mas pra cada um existe uma bala mas nem sempre se faz por merecer a mesma. O tempo é um juiz impiedoso e segunda chance nunca foi amostra grátis muito menos se sai por ai tropeçando nas tais chances, mas sempre podemos escolher burlar certas leis e conseguir sem pudores uma nova possibilidade, daquelas que podem até ser o fim de algo, porém o começo de muita coisa tem sua origem dessa forma. Até então tudo isso parece óbvio e monótono mas me pergunto se você consegue por em prática. Seu namoro acaba, um dia vai ser demitido, seus amigos e afastam e mudam assim como você, músicas não são eternas, comida e água acabam, nem sempre se esta sorrindo ou chorando, dinheiro some da sua carteira e tudo sem excessão acaba. Isso é triste? pode ser... mas todo mundo vai morrer mesmo e isso n é questionável, a grande questão é que estagnamos muitas vezes cheios de culpas e conceitos mesquinhos e egoístas e tantas outras amarras prontas que nem sequer sentimos mas simplesmente arremedamos como se isso tudo ai exposto todo dia na nossa cara fosse um molde e nossa condição humana se torna apenas um estúpido ciclo vicioso em que se condena e é condenado, e eu nunca vou negar que me condenei muito e talvez até esteja fazendo isso agora. Por que? porque eu sou como você! defeituoso desde a fabricação, perdido e confuso. Conheço um cara que me veio com uma frase muito boa sobre dar valor ao buraco que você se encontra enquanto não existe terra por cima e devo admitir que cavei meu buraco fundo mas to tentando impedir a terra com toda sua culpa caia por cima de mim simplesmente porque eu cansei. Vejo tanta gente vivendo em função dos outros, segundo um modelo ou sendo dependente a alguém e costumo sempre jogar todas as minhas farpas contra isso mas andei pensando na seguinte conclusão, meu ódio todo é contra um espelho, um reflexo pois sou dependente sim. Isso é ruim e me envergonha? não! porque apesar de n seguir um modelo e andar na minha linha e não na dos outros eu sou um cara dependente as pessoas que me importam, mas amigos desaparecem porque coisas acontecem, as coisas acabam e aquele colégio que estudava e aprendeu a ler ou o desenho animado que arrancava um sorriso fácil se tornam lembranças e sobra apenas a escolha entre ser nostálgico ou viver novas coisas que deixar o passado realmente pra trás. Garanto que quando se tenta fazer os dois é complicado. Esse é um texto confessional? claro que é! eu tenho medos e inseguranças como todo mundo mas não to querendo tornar isso aqui um diário nem te indicar o caminho da luz. Só tenho minha dúvida pra te jogar na cara e a culpa pra partilhar pois aprendi com o tal do tempo que a humanidade mata pelos motivos mais banais e nunca foi muito interessada em dividir o pão ou seja la qual for a posse, agora culpa é algo extremamente fraternal compartilhado por todos com seus dedos indicadores apontando culpados. Não sei bem onde quero chegar com esse texto mas deve ser mais um como os outros onde eu enrolo até lugar nenhum e essa explicação é tão inútil quanto. Me resta afirmar uma coisa, sou culpado, tanto quanto você.

2 comentários:

geraldo_2022 disse...

"aprendi com o tal do tempo que a humanidade mata pelos motivos mais banais e nunca foi muito interessada em dividir o pão ou seja la qual for a posse, agora culpa é algo extremamente fraternal." Precisa dizer mais alguma coisa? Sou tão culpado quanto você Igor!

Allysson Viana Martins. disse...

Os amigos desaparecem, mas novos vêm, é o devir do mundo. E os desenhos animados? Por que ser nostálgico? Eu ainda os assisto. Que o diga aqueles que não conseguem desgrudar os olhos de Chaves, mesmo tendo assistido aos episódios milhões de vezes, ou então quando passa filmes "sessão da tarde", como Curtindo a vida adoidado e A vingança dos nerds... Apesar de ainda assistir desenhos, confesso, que a nostalgia aparece, porque assistir aos novos... difícil, em?

Tá massa a postagem. Eu voltei com meu blog, quer dizer, agora vou postar, pelo menos, uma vez por semana.

abraço!